por Alveni Lisboa
Tribunais estaduais e até o Supremo Tribunal Federal – STF têm começado a utilizar robôs para minimizar a carga de 80 milhões de processos em trâmite. Essa tecnologia de inteligência artificial é uma aposta para tentar reverter o aumento crescente de ações nas cortes e para dar mais eficiência ao trabalho. Isso porque a máquina pode realizar em poucos segundos uma atividade que um servidor humano levaria 30 ou mais minutos.
A expectativa é que a inteligência artificial dos tribunais vá evoluindo com o tempo e passe a desempenhar outras atividades além das rotinas manuais. É o caso, por exemplo, da identificação de fraudes pelos traços de semelhança entre petições, nomes e número de registro na OAB de advogados. Outro exemplo seria o bloqueio e desbloqueio de bens diretamente no sistema BacenJud.
Comentários do professor Jacoby Fernandes: embora em fase embrionária, é fato de que a inteligência artificial pode contribuir imensamente para a redução da carga processual nos tribunais. Já existem empresas especializadas no segmento apostando na crescente necessidade, inclusive para órgãos do Poder Executivo e Legislativo, que também lidam com uma vasta gama de informações.
Ao contrário do que muitos propalam, o processo judicial apresenta muita lógica. Na atual rotina, de forma mecânica, expressiva parcela do judiciário transfere aos advogados das partes do processo tarefas que deveriam ser desempenhadas por servidores e por magistrados. Assim, por exemplo, o despacho saneador, que poderia encerrar milhares de processo se feito adequadamente, na prática vem sendo suprimido. Após a contestação deveria ser proferida uma decisão interlocutória que reduziria em muito o tempo de tramitação do processo, organizando para o próprio magistrado e para as partes o desenvolvimento célere. Nesse momento processual, deveria o julgador fixar os pontos controvertidos e pontos incontroversos e distribuir o ônus da prova. Alega-se falta de tempo. Incoerentemente esses dois atos reduziriam o volume de processos e aumentaria a celeridade.
O desenvolvimento da inteligência artificial já permite a leitura das peças e redação de textos simples. Em um segundo momento, conforme as empresas que atuam na área, o robô fará a sugestão de normas, jurisprudência e peças jurídicas baseadas no histórico do magistrado, a partir de um sistema de aprendizado de máquina.
Enfim, a tecnologia só tem a evoluir, trazendo ganhos de efetividade e redução de custos para a Administração Pública. Um país com mais de cem milhões de processos em tramitação, precisa de fato aplicar novas tecnologias para resolver o problema.
Com informações do Valor Econômico.
